que noite aquela. todo aquele álcool
que apenas serviu para me lavar
a boca da armadura das palavras,
mais o esquecimento, breve, do caminho
que ainda falta percorrer. quem me olha
do outro lado do espelho? os passos,
esses, onde caem sem apoio? e quem
é esta gente que atravesso? onde
estão todos os meus amigos e as mãos
que eu conhecia?por muito que procure,
já não há nada a encontrar e,
hoje,
escolhi não ver, ser cego e não
compreender nada do que me rodeia.
contudo
chega sempre um momento na noite
nítida entre as luzes em que somos mais
humanos e ricos porque não tememos nada,
excepto o sono.
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