cinco da tarde no marquês, um café
igual a tantos, vazio como outros:
fora da montra um homem fuma
e é observado por uma criança. há
um espaço em branco na montra,
memórias de outros tempos em que
cascatas de bolos coloriam a gula
infantil e obscureciam a torre da igreja
que está do outro lado da praça. este
dia é de chumbo e água, inverno duro
sobre as cabeças e o fumo nos faróis
que encandeiam as perguntas da criança,
o dedo inquisitivo apontado aos olhos
adultos. começa a chover, eu espero ainda,
e nada disto significou algo ou será lembrado.
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