25 março 2011

Mais um

"some are born to sweet delight/some are born to the endless night"

the doors, end of the night

sim, é assim em traços largos e pouco coloridos.
se a delícia é um bem, segundo as leis económicas
é normal que não haja suficiente para todos. como 
sempre, é uma questão de localização, acesso,
investimento em factores desmultiplicadores
de bens em produtos ou vice-versa.
para uns o amor, para outros as outras coisas,
o que importa é continuar a procurar, a investir
noutros valores até encontrar uma felicidade 
possível, sempre breve demais. se hoje nos 
desiludimos, amanhã pode ser que os sonhos
sejam verdade ou outra coisa qualquer sem nome,
algo intermédio como todas as nossas considerações.
vejamos: falta sempre a coragem para a primeira 
palavra, para o primeiro gesto - de tantas montras 
que olhamos, deixamos de saber como falar,
como entrar pelos olhos do outro dentro. ainda…
para já ainda é difícil comprar pessoas. há quem
não esteja aberto para transacções comerciais;
há quem não tenha o preço à vista; há quem 
não tenha prazer no negócio. de resto, é um processo
como outro qualquer. daquela subtil economia, desta
descrição desiludida, daquele processo físico-químico
que leva da impressão à expressão carnal do prazer
ou desilusão, o tempo é relativo, contudo previsto
por uma fórmula matemática que não vou explicar 
porque é totalmente irrelevante para a compreensão 
impírica das coisas. acontecem - apenas - eles e elas,
eles nelas e elas neles, arrastando voz e corpo 
e um novo entendimento para tudo. repito: isto é
válido. para tudo. a vida anda aí em queda-livre
dentro de nós, procurando um lugar para sair,
para encontrar a compreensão das coisas,
mais um motivo para acordar amanhã. queremos
mais, sempre, é a frase fácil para esta situação.
para explicar a ânsia de tudo, pessoas e coisas 
e experiências e motivos para melhorar a relação 
com o mundo. para conseguir finalmente falar e ser 
compreendido. para conseguir tocar tudo o que ilude 
e rodeia. para saber, por um momento, que há outra
pessoa que compreende a solidão imensa dos desertos
interiores; que sendo únicos, somos todos feitos da mesma
primordial merda e sentimos muito por não conseguir 
compreender nunca o que vai do outro lado, se fomos
compreendidos em nos fazer entender. por isto tudo,
sendo uma indústria produtiva ou não, os investimentos
sucedem-se em busca de uma pequena parcela, 
uma quota na indústria de transformação do eu em nós.
pessoalmente, sonho ser, desde pequeno.



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