o poço das escadas é frio pedra
e nele adormeço sem uma moeda
para passar para o outro lado.
empurraram-me para aqui, mãos
rudes apagaram a minha presença
da fila da refeição, da cama que iam
emprestar-me por esta noite breve
e empurraram-me para este canto
escuro, fora de portas com os sacos
onde levo quem sou, entre as ruas
da cidade e a memória da caridade.
vivi sempre do outro lado da vida
já que não deixo ninguém de mim
para me recordarem. a meu lado,
agora, ninguém senão a minha
sombra, a desgraça das minhas
mãos e o frio que me come a pele.
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