01 março 2011

Vistas à noite as coisas estão ainda pior do que parecem

o poço das escadas é frio pedra
e nele adormeço sem uma moeda
para passar para o outro lado. 
empurraram-me para aqui, mãos
rudes apagaram a minha presença
da fila da refeição, da cama que iam 
emprestar-me por esta noite breve
e empurraram-me para este canto 
escuro, fora de portas com os sacos
onde levo quem sou, entre as ruas
da cidade e a memória da caridade.
vivi sempre do outro lado da vida
já que não deixo ninguém de mim 
para me recordarem. a meu lado, 
agora, ninguém senão a minha 
sombra, a desgraça das minhas 
mãos e o frio que me come a pele. 

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