Na realidade sou apenas um romântico desiludido com o mundo e com as pessoas. Parte de mim, pelo menos, é assim. A outra não se importa muito e continua sem pensar muito nas coisas. Ambas não querem acreditar mais e preferem manter-se assim, indisponíveis. Sinceramente, e do que vi e experimentei até agora, a disponibilidade é uma coisa muito interessante que serve para reduzir a nossa produtividade e para nos roubar as horas. Mata a solidão por umas horas, mas pouco mais. Assim sendo, continuo a ser o mesmo romântico desiludido com o mundo e com as pessoas. Sem beleza nem poesia. As coisas parecem mais duras ditas em prosa, mas é uma ilusão do nosso entendimento. Afinal de contas, são apenas as mesmas palavras alinhadas e gastas. Ninguém entende. Elas, as palavras, significam o mesmo de formas diferentes. Dependem das pessoas que as dizem. Se forem escritas parecem mais sérias, mas são igualmente risíveis e insignificantes. Confusas, principalmente. Hoje passei demasiadas horas em frente ao computador. Ontem uma manifestação, tão inocente que chegou a ser bela - não fosse a desilusão um cancro que nos consumia a todos por dentro. Descendo a avenida passava-se uma fronteira invisível entre dois mundos necessariamente contrários. O dos contestatários, o mundo em crise, e o mundo real, das esplanadas cheias e da praxe dos estudantes que se alimentam de MacDonalds, engordando como animais passivos e com um plano. Ambas as partes de mim ficaram desiludidas. Com o mundo real e o mundo contestatário, ambos enfrentados de câmara na mão - e são as mesmas caras que se escondem por detrás das mãos, dos óculos de marca. Acontece-me o mesmo quando sou sincero. Quando tento falar ao coração das mulheres, as portas fecham-se. Excepto quando tento ser quem não sou. Excepto quando os bolsos estão cheios de dinheiro ou paciência (ainda estou para decidir que qualidade é a mais importante). Ainda assim, permaneço romântico e desiludido com o mundo e com as pessoas. É assim que sou e só consigo enganar quem quer ser enganado pelo tempo disponível para o engano. Para terminar, gostaria de dizer que odeio o Paulo Coelho e todas as palavras que ele escreveu e virá a imaginar. É demasiado cruel da parte dele reduzir o mundo todo e toda a gente no mundo a crianças que precisam de metafísica moulinex para sobreviver. E depois de todas estas palavras incertas, rudes na sua prosa, incertas na certeza de definir algo, permaneço romântico, desiludido com o mundo e com as pessoas, mas procuro não pensar muito nisso.
P.S. - Para além do Paulo Coelho, odeio também o Pedro Passos Coelho de uma forma que o reduz apenas a mais um número, a mais um político que vende a carne dos ossos, as gerações presentes e futuras, a uma oligarquia. Infelizmente, não foi o primeiro.
1 comentário:
abraço forte amigo! e nunca pares de lutar. mais vale morrer a lutar que viver uma vida derrotado. mais uma vez luta!luta! agora e sempre pelos teus sonhos e pela tua felicidade. encontraremonos um dia e celebraremos com vinho a nossa vitória. quinta-feira viajo á procura da minha.
T.
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