08 dezembro 2011

Incapaz


Olho para mim sobre a minha própria mão
enquanto me olho olhando o que vejo. vejo
mal entre a penumbra dos meus olhos. não 
escuto nada. não sei onde estou. há uma luz
pontual sobre mim, isolando-me do negro. 
não consigo dormir e estou de pé, sozinho,
numa sala (?) sem portas ou janelas, 
sem paredes. ouço a minha respiração 
agora. o tempo deixou de existir. 
não sei quem sou. 
estou aqui. agora dentro de água. o mesmo
silêncio, ecos distantes do mundo, flutuo.
enrolo-me sobre mim mesmo para dormir 
e tudo fica vermelho e abro os olhos e abro
os olhos e a realidade não se materializa. 
vazio. deserto. tudo em nada em meu redor.
lentamente, formas. despertam os pânicos.
ninguém à minha volta, mãos gigantes e unhas
que descem sobre mim, que me cortam o ventre
enquanto me agarram e me fazem subir, fora 
de mim, longe de quem sou. e de novo outro
local, agora coberto de insectos, os olhos
a serem comidos e a pele destruída lentamente
por milhares de dentes. nos últimos momentos,
sou outro, novamente no vazio, afundando-me
sozinho em tudo o que desconheço, sem futuro
e com um passado fechado em mim, incapaz.

1 comentário:

je suis...noir disse...

"finge a vida mesmo que permaneças morto... e não regresses mais à desolação da terra
nem ao contínuo movimento falso do coração"