cada vez mais, esqueço-te.
os esforços para te manter viva,
calor contra a pele de mim,
são cada vez mais uma inutilidade
que arrasto atrás da lembrança.
quantos quilómetros nos separam?
sei onde vives, onde trabalhas,
compreendi também tarde demais
que, na realidade, nunca te conheci.
atravessei-te. chegamos ao outro
lado de nós e não soubemos ver
mais nada para além do vazio.
um dia, sei agora, a felicidade cairá
novamente no meu colo como pedra.
estarei mais completo. serei completo.
depois de pensar muito e vendo
com mais atenção, tu tiveste mais sorte:
esqueceste os teus sonhos e ficaste,
para outro lado, por outro lado, bem
longe de mim.
3 comentários:
" mas eu perdia sempre alguma coisa quando te ganhava"
rui pires de cabral! não conhecia. ainda assim, o sentido que pressinto nas palavras dele, falando da mesma ausência, dirigem-se num sentido diferente do das minhas. as minhas descrevem o processo de afastamento, o esquecimento; as dele, penso eu, referem-se à estranheza de um corpo que já se conhece, à dádiva não correspondida. ainda assim, obrigado pelo comentário!
sim... era um excerto apenas, que achei que mesmo assim podia fazer algum sentido:)
há sempre muitas contradições em alguns actos. o "afastamento" é algo que gera sempre algumas incoerências. se não for por fora, talvez por dentro...
é a minha opinião, pelo menos:)
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