27 maio 2012

O que dói


é com a melhor das intenções, acredita.
vamos continuar, mas muito devagarinho,
como quem está parado e não faz nada;
como quem está só e não sabe o que fazer
para voltar atrás ou acabar com tudo de vez.
afinal de contas, as coisas só doem no corpo
que nos pertence, cujos ecos escutamos.
                o resto,
o corpo dos outros, não dói. nada. miragem 
de carne. ejaculamos ódio. lugares comuns
da língua e da empatia. no fundo, nunca deixar
de temer vida e os outros e as mesmas opiniões 
ocas. lamentar a possibilidade rara de fazer tudo: 
o querer do que sempre se quis. ser sempre
quem sempre se foi e sempre foi escondido. 
mas não. afinal de contas, não me dói nada fazer 
                o que dói em mim.

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