e esta navalha, reflexo condicionado
e devolvido. mais um corte, outro
fim. detesto ver estas lojas
fechadas, os gumes cortantes
das janelas partidas, carros caros
e pessoas baratas confusas, som
repetido na sílica do vidro solto.
reflexos. em conversas banais.
passo a passo do conforto, refluxo
gástrico do meu sono despertado.
aqui me desloco num tempo-espaço
emprestado, entre sons estridentes
ou vozes de morte que são medida
e cor do meu falhanço, pressentindo
que as letras gravadas à força de metal
não são suficientes para prender
mensagens ou sangue. ninguém olha.
mais lojas banais fechadas pela crise
ou
pelo modo como pararam no tempo
ou
pelos shopping cogumelos dos subúrbios
ou
pelo desinteresse irónico pelas coisas banais
que, afinal, eram tudo o que se pode ter
para calafetar as paredes finas contra o inverno
rigoroso
da solidão e da velhice.
1 comentário:
muito bom, gostei imenso!
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