ainda não me explicaram se sou o crime ou o castigo,
o acto ou a consequência. entregam-me as mãos abertas
sobre os livros, os rastos poluídos da psicose da entrega
marcados na pele, no cansaço dos olhos que se escondem
retribuindo o olhar. falo de fotografias, em olhar na varanda
do olhar do outro, ver o que o outro vê sem o alcançar, sem
conseguir agarrar o tacto e os cheiros da presença... pensamento
libertado e feito coisa física e criação pessoal. há apenas silêncio,
os meus olhos, imagens mal-formadas, intenções dúbias e inuendos
digitais - um silêncio de morte planificada sobre tudo isto.
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