19 maio 2013

Tarde demasiado longa de domingo


É domingo, lento e nostálgico vento bucólico.
Sozinho em casa escrevo espreitando a janela
quase aberta que me recorda o mundo e a vida
para viver como um animal perdido, selvagem.

corro de dia para dia sem compreender, cego
completamente para além dos sentidos, 
maelstrom,
babel,
sem encontrar novamente uma mesma língua
para falar, tempos em comum para viver. 

penso nos corpos cruzados, no tempo perdido,
na absoluta insignificância de todas as tentativas
contra o peso do passado, esse cobertor curto 
que nos destapa os pés
e as intenções. 

e por dentro resta-me pensar a negro a incompreensão.
a vida, este momento de débil alegria, memória
recuada de mais um momento esquecido, 
breve chama que se extingue 
sonolenta
na tarde demasiado longa de mais um domingo.

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