agora estamos sempre a dizer adeus.
não respondemos às palavras, falamos
ambos em línguas estranhas, as mensagens
ficam truncadas e sem resposta. desencontros.
corpos tristes que nos assombram os sonos,
silenciosos, uma impressão de frio nos ombros
estranhos que a noite nos empresta para dormir.
demasiadas horas no dia e a cidade não iluminou
a nossa noite, nem abriu os olhos nossos, nem soltou
as vontades e coragem. reconstruir é uma palavra
vazia, mais um conceito abstracto sem referente,
corpo frio e caprichoso, triste de vazio que é.
fiquei mais uma vez acordado. a última espera.
ouvi a noite passar e transformar-se em dia,
as janelas que se abrem, as garagens,
o passo apressado das pessoas que vivem.
mais uma vez a minha porta permaneceu
fechada, nem uma palavra pela fechadura.
risos
escutavam-se claramente, vindos de longe,
frios.
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