não posso exactamente escrever o teu nome no gps e esperar
que esta máquina e os seus satélites me conduzam a ti.
não te vejo há anos, assim parece,
não que tenha contado o tempo que passou:
ele passou apenas, sem darmos conta. entretanto
perdemos as coordenadas; os mapas confundiram
os caminhos; perdemos o lugar, a hora, os sinais.
esta distância é como um arrepio que nos sobe pelos pés,
pernas acima, tremor no sexo, breve memória da outra pele
- que não diz nada, excepto a sua existência frágil.
esperei demasiado. fiz muito pouco, demasiado
ocupado com as promessas de um futuro tardio demais.
o mundo cresceu à nossa volta e caímos cegos num céu
de rocha negra, árvores solitárias cortadas nas raízes
do caminho. dias de sempre, tomados pelo labor
da morte em papéis, números e sangue. pesada ancora
no centro de nós. porto sem viagens. a ausência pesa fundo.
e o que aguardar enquanto se espera amarrado ao medo?
hoje bastam-me as poucas noites que passo acompanhado,
sem promessas nem amanhã certo,
estranho projecto para o amor possível no horizonte da solidão.
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