02 abril 2007

sinais

esgotamos todas as possibilidades
da noite; esgotamos todas as possibilidades
da noite; esgotamos
todas as noites
         noite,
noites,
gigantes púrpura e fumo,
noites e noites, infindáveis
- até à manhã;
noites surdas, noites frias

aguardam-se as vozes escondidas
atrás do plástico dos telefones-espelhos
clamando a imensa presença impossível.
         aguardam-se as vozes,
vozes de plástico, vozes de telefone
na noite - nos espelhos que gritam,
no grito da improvável presença
aguardo a voz, aguardo a voz,
aguardo a voz... humana,
         aguardo...
desde o anoitecer ao granito
duro, que reflecte a luz
         e mata
a ilusão daninha

         o corpo,
o corpo dá-se,
relembrando uma existência:

figuras estranhas e o corpo grita,
figuras estranhas e os corpos desenham-se,
figuras estranhas e explode o apelo,
a chamada surda que atravessa as profundas linhas
         e lhes dá sentido.

          é manhã,
escutamos os sinais
-fazemos silêncio e o dia canta.