hoje em dia fazemos tudo para estar tristes
e conformados com a conformidade da desilusão.
nem pensar em sorrir da imensa ironia de tudo isto,
esboçar um sorriso para afrontar os deuses
humanos e mitológicos que nos tentam fazer crer
na infame noção de destino, fado, todas essas coisas
podres e cobardes que usamos para nos esconder
do poder das nossas decisões, da mudança
que é sempre um salto no futuro, sobre o vazio
que se tenta preencher. para que precisamos
de tanta dor, de cinemas cheios de sangue e terroristas
e sexo violento ou de pálidas imitações de amor
cor-de-rosinha e leve e jovem, fresco, e sem conteúdo
- não há como apagar esta sede de confronto
com o fim violento do mundo às possíveis mãos
de terroristas devidamente armados de toalhas
ou de vizinhos parvos armados em vigilantes da moral
e bons costumes passageiros. vivo e estou vivo
neste mundo sem deuses e com cada vez menos pessoas,
sou sozinho para além de dois círculos, e como todos
não faço ideia porque estou aqui. depois de tudo
o que perdi, de tudo o que ganhei e aprendi, sou
outra pessoa, o mesmo, outro-melhor-em-mim.
e tento ser assim ou de outra forma ou como seja,
mas ser e saber sorrir, encontrar pequenas coisas,
uma vírgula a mais, um erro, um esquecimento,
mais um traço da imperfeição que nos une a todos
nesta imensa tristeza de não ser o que há de melhor
no outro, na outra pele tão fácil e sempre mais perfeita,
uma cicatriz para onde se olha e se esquece a cura.
1 comentário:
Pessimistas meu caro, pessimistas... =)
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