o zé responde a tudo como se fosse a gozar
e não sou a única a queixar-me do mesmo.
desde já as minhas desculpas ao mundo
por ser o oposto do que aparento. apesar
daquilo a que chamo vida estar em ruínas,
tenho muita pouca tristeza em mim e quase
tudo me dá vontade de rir, porque o mundo
é de uma ironia inultrapassável. deus, para
mim o acaso, é bem pior que eu. qualquer
pessoa séria é incapaz de dizer o contrário.
de cara séria, as pessoas esperavam que fosse
como todos os adultos: responsável, frio, sério
(sempre ou pelo menos quando achassem
conveniente), com vontade de construir algo
que não imagens de nada, imagens condenadas
a desaparecer num vago registo do presente.
para além de ti, minha amiga, gostaria de saber
quem se queixa do humor, do meu humor,
desta tábua de salvação para os náufragos
da existência, caranguejos do fundo do subúrbio,
dos significados profundos trocados sem palavras,
capazes de se rir com tudo sem deixar de sentir a dor
das coisas importantes e, acima de tudo, os únicos
que ainda se lembram que a merda da vida se enfrenta
sozinho, de coração aberto e com um sorriso nos lábios.
(PS- só para que fique assente e compreendido, a minha mãe
e ex-namoradas achavam uma piada flutuante às minhas atitudes,
mas sempre me compreenderam e respeitaram o suficiente para saber
que sempre me importei com elas.)
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