30 setembro 2009

Ali estava ela

E ali estava ela:
Sustida pela balaustrada
Inoxidável da pastelaria.
E era assim que ela estava:
O sol cobrindo de luz o rosto
Bissectado pela sombra da paragem;
O gesso da mão esquerda rezando nervoso
Sobre o calor da direita e o seu afagar distraído;
O cabelo negro de alguma idade e oleoso, cortado;
A roupa, velha como ela gasta. Quando a aproximação
Se concretiza e os olhos falam a outros olhos, ela olha a sombra
Do horizonte turvo pelas lágrimas fáceis dos velhos.
Porque é que ela chorava?
Não sei... não lhe perguntei e segui caminho.

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