19 setembro 2009

Cartas

As cartas raramente trazem boas notícias
E ainda mais raramente servem para compreender
A mão estranha que a escreveu e a intenção da outra
Mão bifurcada que no papel se diluiu até ao nada.
É assim, lendo, que se fecham os cinco lados da caixa
Em que nos passaremos a esconder, procurando
Até ao fim
Melhores dias e momentos impossíveis, cortes
E filmes sem significado debaixo de mais uma noite
Que será permanentemente solitária. Esta tinta
Tem o sabor do adeus.

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