Com a passagem do tempo azedamos
e a beleza das memórias torna-se veneno.
Existir, este desafio ruidoso onde sobrevivemos
uns sob os outros, uns dentro de outros
e outros ainda sem saber como sair,
arranca de nós, pouco a pouco, a vontade;
hoje, dia após dia, somos cada vez menos
nós e mais o outro, o desconhecido. Posso
dizer hoje, sem dúvida, que o passado é
uma pele velha que sacudi, que rasguei
nas árvores do caminho. Quem eu sou hoje,
nada deve ao que era ontem: esse está morto
finalmente.
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