No meu sonho passas de carro
com os teus pais e eu estou lá,
olhos fechados, a ver-te passar;
por mais que tente não consigo
abri-los para te ver uma última
vez - sei que vais embora para
além do tempo e espaço que
os seres humanos conseguem
compreender. Sei que dizes adeus,
que não podes voltar, que o
tempo, este tempo, é uma corrente
demasiado forte para quem aprendeu
a nadar há tão pouco tempo. Eu estou
nu, na rua transitória que é a cama,
e sem olhos vejo-te afastar sem
esboçar uma palavra e grito e estou
mudo com os meus lábios cosidos.
Depois de compreender isto,
só me resta acordar aos gritos.
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