"o quê?"
não escuto o que digo. não compreendo
o que fazes. não sei quem sou entre tu
e eu. o que é que tenho de errado?
gostaria de conseguir parar e mudar.
ser alguém que as pessoas gostam
de encontrar acidentalmente na rua;
ser alguém a quem ligam para sair;
alguém de quem sentem a falta...
para onde foram as vozes e mãos
que faziam e sustinham o mundo?
terminaram as tardes imensas onde
o tempo saía dos olhos e parecia eterno
como a frágil juventude dos ossos .
como sempre, resta o respirar mecânico
dos relógios, a lógica dos ponteiros,
os compromissos. sinto que existo
sem saber como existir por mim mesmo.
respiro
sem hipótese de o negar. acordo o dia,
sem horas, sem caras, sem ninguém.
o silêncio e o telemóvel vazio. a internet
como um abismo onde me perco. a casa
cheia de estranhos ou vazia, silenciosa.
onde estão todos mesmo?
Sem comentários:
Enviar um comentário