Sem beleza e assombrados pela morte
fechamo-nos todos aqui debaixo, cave
funda do nosso silêncio abafado por música.
amigos sem amor, amor sem amigos
e a batida eterna que nos afasta de tudo.
não bebi. não me consigo perder desta forma.
esquecer as tragédias pessoais, a solidão
acompanhada de quem não tem nunca
ninguém a seu lado quando chega a hora
de ir. não sei o que fazer para deixar de sentir
esta imobilidade maior que o tempo, maior
que a noção de espaço compreendida.
caímos neste vão escuro para outro lado, longe
de nós mais um pouco, quase nada de outro.
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