29 janeiro 2013

Noite incendiada

não sou poeta nem escrevo poemas.
duvido mesmo que seja um homem,
se homem se pode chamar à carne
desta fractura constante. perco o ser
diariamente, navio sem âncoras e portos
esquecidos marcados no casco. escolho 
palavras que não são palavras (mas
antes espelhos onde o leitor encontra
uma outra face que é também a sua)
para me relembrar como era a certeza
absoluta de tudo - mãos no leme tacteando
um rumo, um sentido para a viagem 
e para o esquecimento. não, não sou 
um poeta, ainda menos um homem.
o meu valor é incendiar a noite escura,
o silêncio do corpo, o vazio preenchido.


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