17 janeiro 2013

Retrato

Retrato, 2013

os retratos raramente mostram quem é fotografado. o rosto, a representação apenas está lá por acidente. é uma desculpa para fazer. ou para melhorar quem se retrata. ou para oferecer uma racionalização das impressões que as pessoas nos provocam. acima de tudo, um retrato deve fazer-nos perguntar: quem será que existe fora desta imagem que tenho perante mim?

já que nunca conseguimos enfrentar as pessoas, conhecer alguém, entrar numa comunhão possível e visual com o que as pessoas são, escolhemos o retrato. uma reprodução mecânica para nos libertar das ambiguidades humanas, das limitações dos nossos sentidos e razão. e assim acabamos por mostrar mais quem somos, do que as pessoas que retratamos. não sei se me faço entender, mas este retrato não é diferente. mostra mais de mim do que um retrato meu - já que nunca conseguimos mesmo estar na mesma folha que as nossas representações.

este é o retrato do desconhecimento e da fuga.

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