24 abril 2009

Ninguém espera

Ninguém espera

que alguém o salve
muito menos de si mesmo
dessa criatura frágil
e suja que assombra o espelho.
Nada que pare a bala
que parte e fissura
prática e democrática
em erradas mãos,
sempre nas mãos erradas.
E quando o silêncio cai
é sempre a interrupção de algo
é sempre a ordem premente
para a reacção.

Não
já ninguém espera e todos se dedicam
a fingir que acreditam
que as coisas podem ser
que pode ser mentira a ilusão
cada vez mais viva a rosnar-lhe os dentes
do ódio.

É sempre melhor não acreditar
na maldade
viver como inocentes de fácil morte.

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