27 abril 2009

Motor

O barulho do motor sobrepõe-se a todas as coisas
Às desordenadas vozes e aterrados pensamentos

A mente tem de estar calma e concentrada
Fria
Não há espaço para hesitações
Quando se está ao comando

Os dias são longos e cansativos
Não há nenhuma promessa ao fundo do túnel
As luzes estão apagadas na estrada
Há apenas carros que passam
Rápidos transeuntes
Mortos
Um motor que ruge a afastando a solidão

Será isto a vida
Conduzir pela noite numa estrada negra
Disparar fervorosamente nas pausas da morte
Tentando acumular memórias
Perceber a existência

Luzes que passam
Borrões na velocidade
Movimento aparente nas estáticas palavras
Que caem desalinhadas pela folha virgem.

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