Era para ir trabalhar
deram-me a absoluta certeza
de quem mente
certamente assegurado
de que quem um dia vai comer
esta dura merda
não será ele nem o seu filho
pela boca de um filho meu.
Era para ir trabalhar,
deram-me a certeza da incerteza
de uma palavra por confirmar.
Era para ir trabalhar mas não fui
com a certeza de que quem um dia
vai chorar serão eles,
quem hoje me condena ao pecado
do tempo livre, da escrita plena,
do sol pleno que já não aquece
a minha vontade ser útil e produzir.
Era para ir trabalhar, deram-me a certeza
de que iria; mentiram-me sem merecer
já que me alimento de sonhos
e o dinheiro que preciso é para álcool
para afogar o meu destino.
Deram-me a certeza de que ia trabalhar
hoje ou amanhã,
mas sem certeza continuo
e, apesar de não o merecer,
descubro que até quem não merece
por vezes é quem sofre mais.
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