Nossa senhora monta
o dragão e voa
sobre as águas ou a imaginação.
O Cristo, improvável rei,
espera a sua usada mãe
em directo,
braços infaustos abertos
na falta de uma melhor cruz;
a que tem,
a imisericordiosa memória
televisiva, somente chega
para lhe preencher o tédio.
A cidade é agora um templo
de um orgulho babilónico,
onde se bebe o sangue
das ruas
e se come o pão amassado
por mãos estranhas e pobres.
A paz não está nos olhos
dos descrentes,
ícones eternos do medo,
segurando os acessórios
da salvação incerta.
110 metros de cimento
- 28 personificados na possível imagem -
contemplam imperturbáveis
o delírio das mentes colectivas
e, sorrindo,
escondem uma faca atrás das costas.
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