os cães ladram e não se passa nada:
o arco desta travessa arqueia ainda,
o rio corre como um esgoto bucólico,
a mesma luz na janela fechada.
o telefone não vai tocar hoje. nenhuma
voz vai atravessar este vazio. os ecos
que me chegam não trazem nada bom:
as paredes dizem que o presente esgota
placidamente as suas horas e relatam
confusões profundas dentro do interior
da minha cabeça calculadora negativa.
entretanto mais um dia escorre na torneira
e eu escrevo novamente na cozinha,
costas para a janela doente, e sempre
o cigarro estúpido a queimar as horas
a pensar sempre o mesmo: ninguém nos vê.
não existimos. os espelhos não conseguem
devolver aquilo que nunca possuiram.
os cães calam-se subitamente.
alguém desliga a luz.
não se passa nada.
1 comentário:
é lindo...
(roubei)
Enviar um comentário