31 agosto 2009

O meu nome é nada

O meu nome é nada e a minha posse
Mais preciosa são as caixas de cartão
Onde vou fazer hoje a minha casa e cama
Ao lado dos vossos carros fechados,
Das casas vigiadas e muradas até à luz.

Quando me olham ninguém me vê, cinzento
Como os paralelos que são a minha almofada
Quando a bebedeira ou a tristeza me encontram
Caindo nas ruas da vida amargurada por encontrada
Ter sido nunca; nem posta em palavras simples
Para o intelecto do azar ser compreensível
- Para fazer mais sentido dormir nas sombras
Da compreensão e do nojo que me rodeia.

Se estendo a mão doente nada me dão, nem um segundo
De existência me querem conceder, vocês que têm dinheiro
E substância e que existem para além de vós, nos carreiros
Das contas bancárias, na memória tributária do estado.
Eu nem um número tenho, não tenho identidade.
Os meus ossos e a minha pele valem pelo que eu sou.
                            E eu sou nada.

Sem comentários: