27 agosto 2009

A roda da rotina conspurca o azul

A roda da rotina conspurca o azul
Dos sonhos, a hipótese de melhor
Tempo ou momento para viver.

Estou encurralado dentro de um quarto
Cheio de livros que não consigo ler,
Cheio de palavras incompreensíveis
Que não explicam o porquê de estar aqui,
Fechado, entre as quatro paredes
Do meu nervosismo - da voz que seca na garganta
A impossível comunicação entre quem está
        E a fantasia que é distante.

Não consigo ler este mapa que encontrei no bolso:
Que caminhos percorreram minhas mãos e em que águas
Beberam esta inquietação que agora habita na pele?
Que sinais são estes que tenho entre os dedos e sob os olhos
Que não explicam as noites passadas
                                                  e a confusão da madrugada?

Entre um dia e outro, até se completar os sete dias da semana,
Resta-nos o medo que entrega os corpos e guarda as palavras
Para um dia fora do tempo - fora do medo de sermos reconhecidos
        Por uma outra face tão desconhecida como a nossa.

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