A roda da rotina conspurca o azul
Dos sonhos, a hipótese de melhor
Tempo ou momento para viver.
Estou encurralado dentro de um quarto
Cheio de livros que não consigo ler,
Cheio de palavras incompreensíveis
Que não explicam o porquê de estar aqui,
Fechado, entre as quatro paredes
Do meu nervosismo - da voz que seca na garganta
A impossível comunicação entre quem está
E a fantasia que é distante.
Não consigo ler este mapa que encontrei no bolso:
Que caminhos percorreram minhas mãos e em que águas
Beberam esta inquietação que agora habita na pele?
Que sinais são estes que tenho entre os dedos e sob os olhos
Que não explicam as noites passadas
e a confusão da madrugada?
Entre um dia e outro, até se completar os sete dias da semana,
Resta-nos o medo que entrega os corpos e guarda as palavras
Para um dia fora do tempo - fora do medo de sermos reconhecidos
Por uma outra face tão desconhecida como a nossa.
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