Dia 1
Um dia acordamos
E reparamos que apenas existimos
- Que somos sem nada ser senão um vago
Pó de coisas desconexas, de uma biologia
Traiçoeira ou de ossos de negros rituais.
Quanta morte se esconde em mim,
aaaaaaagora,
Que sou um exilado deste mundo e do outro?
Dia 2
Abertos num último fôlego de luz,
Fecham-nos os olhos que, entregando
Por uma última vez o corpo à luminiscência,
Iluminavam todo o mundo em redor para o gravar
- Por uma última vez vivo, por uma última vez belo,
Por uma última vez nítido e perfeito - como nunca foi.
Dia 3
Na monotonia deste caminho de sombras
Que me afasta de mim próprio, do que sou
Em mim, para o vazio sem cor e sem som
Para onde vou agora, desconfio que não há
Como voltar nem comunicar com quem fica
Neste cais de onde caí e as ondas me levaram
O corpo
aaaaaae o pavio da vida tranquila.
aaaaaa(ainda assim vou continuar a gritar)
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